ISABEL DE TORQUEMADA
Nome: Isabel de Torquemada
Ano: 1562
Local: Castela
Status: Corpo não localizado
RELATO INVESTIGATIVO
Isabel de Torquemada nunca foi levada à Inquisição. Não há registros de interrogatório, denúncia formal ou condenação. O que existe é apenas um apontamento marginal em um livro civil de Castela, registrando seu desaparecimento súbito no ano de 1562. O documento atribuído a Isabel não possui características de confissão forçada nem de delírio religioso típico da época. Trata-se de um texto íntimo, coeso, escrito com cautela e lucidez. Isabel compreendia o risco de registrar pensamentos que não poderiam ser retratados como heresia comum — e ainda assim escreveu. O ponto central do caso não é a fé, mas o encontro descrito. Não há sinais de coerção física, perseguição ou violência imediata. Há convencimento. Há oferta. A promessa de que sua ausência impediria algo maior — algo que não foi nomeado, mas claramente compreendido por ela. Depoimentos antigos, recolhidos por mim a partir de arquivos regionais e relatos familiares fragmentados, indicam que Isabel foi vista entrando em um veículo nobre da época — uma carruagem fechada, de madeira escura, com brasão simples e uma marca em forma de “V” entalhada na lateral interna da porta. O condutor não foi identificado nos registros oficiais. A única testemunha direta foi Beatriz de Ávila, amiga próxima de Isabel desde a infância. Seu depoimento, preservado de forma incompleta em correspondências privadas, descreve um homem vestindo negro absoluto, sem insígnias religiosas ou militares, aguardando Isabel ao cair da noite. Beatriz relata que Isabel entrou na carruagem voluntariamente e não demonstrava medo — apenas resignação. Após esse evento, Isabel jamais foi vista novamente. Pouco tempo depois, sua família começa a desaparecer dos registros civis e religiosos da região. Não há acusações formais, não há julgamentos, não há execuções públicas. Apenas lacunas. Páginas arrancadas. Silêncio administrativo. O conceito de “morrer escolhida” reaparece em outros casos analisados por mim, separados por séculos e geografias distintas. Sempre ligado a indivíduos jovens, empáticos e sem poder político — mas suficientemente perigosos para algo que não tolera a possibilidade de mudança. Isabel não foi levada à força. Ela foi convencida. Isso não é um gesto de fé. É um gesto induzido. Algo observava. Algo aguardava que ela entrasse sozinha na carruagem.Fonte: depoimentos antigos e registros fragmentários analisados por Adelaide Bärenfänger.